Pais se queixam, durante a consulta médica, que seu filho adolescente não está ouvindo quando chamam... E agora?

14/09/2015 09:35

Além da distração comum dos adolescentes e a demora em responder às solicitações de seus pais, com a desculpa que "os adolescentes vivem no mundo da lua" , talvez a perda auditiva pode ser o inicio de sintomas de surdez precoce causada pelo uso excessivo de headphones e sons considerados agudos e intensos e acima de 85 dB (decibéis). Outra situação é por exposição crônica ou o que se denomina de PAIR, Perda Auditiva Induzida pelo Ruído, quando a ação da energia sonora intensa é aplicada de forma repetitiva, durante longos períodos de tempo, causando uma deteriorização progressiva e irreversível. 
O uso contínuo de fones-de-ouvidos ou iPods de alta potência, isto é, a exposição duradoura à música alta, pode causar perda auditiva induzida pelo ruído, em adolescentes/jovens. O nível de intensidade de ruído dos fones varia de 60-70 dB a 110-120 dB. Segundo a Agencia de Proteção Ambiental, para adultos, o nível confortável de ruídos é 80 dB. Já no caso de crianças, o nível seguro baixa para , no máximo, 70 dB e ruídos acima de 80 dB são classificados na faixa de nocividade auditiva e acima de 120 dB situa-se o limiar de dor auditiva.
O sintoma mais frequente da perda auditiva é a dificuldade de perceber sons comuns como a campanhia de telefone ou de portas, o tiquetaque de relógios até a dificuldade de ouvir a palavra articulada do interlocutor, se este não estiver do lado e gritando! Outros sintomas são zumbidos, alterações de sono, dificuldades de concentração, desatenção, irritabilidade, tonturas e náuseas.
Se você suspeita de que seu filho ou aluno esteja com problemas de audição por exposição excessiva e prolongada à ruídos altos a melhor saída é procurar avaliar a perda auditiva, através de um exame de audiometria tonal e vocal, realizado por especialistas. E o afastamento do ruído intenso e constante é a primeira atitude a ser tomada. E o quanto antes, melhor para não se tornar irreversível ou surdez precoce e que poderia ter sido prevenida, se houvesse este alerta e informação divulgados entre todos!
A higiene dos fones-de-ouvidos merece também atenção, são de uso pessoal e não se emprestam!
(Dras. Teresa Cristina dos Reis Carvalho (otorrinolaringologista) e Dra Evelyn Eisenstein (pediatra e médica de adolescentes), 2015.)

Quer saber mais?
Geração Digital e Riscos Auditivos, pag 98-101, Ed Vieira & Lent, Rio de Janeiro, 2008.

 

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